Debate na Câmara discute Segurança Hídrica na cidade e região

Especialista em produção de água pelo IAC de Campinas trouxe dados

Publicado em: 03 de julho de 2019

No início da sessão de segunda-feira (dia 1º), a Câmara de Nova Odessa promoveu um debate a respeito da Segurança Hídrica no município e toda a região. O pesquisador e especialista em produção de água Rinaldo Calheiros, membro do Setor de Irrigação e Drenagem do IAC (Instituto Agronômico de Campinas), foi convocado pelo vereador Tiago Lobo (PCdoB) e abordou diversos aspectos.

Calheiros trouxe dados detalhados para apresentação aos vereadores e a população, com relatórios técnicos a respeito da situação hídrica em Nova Odessa e toda a bacia hidrográfica que a envolve. “A ‘fragilidade hídrica’ não ocorre apenas aqui, mas também em toda a região e o Estado de São Paulo, evidenciada durante a escassez de chuvas nos anos de 2013 e 2014”, aponta.

O pesquisador citou que a captação no Rio Jaguari para abastecimento público é feita pelas cidades de Jaguariúna, Limeira, Hortolândia, Bragança Paulista, Paulínia e Pedreira, enquanto do Rio Atibaia se utilizam Campinas, Jundiaí, Sumaré, Atibaia, Valinhos e Itatiba. “Nova Odessa tem o privilégio de ter as represas próprias para abastecimento. A água nasce e é captada aqui”, destaca Calheiros.

Existem as represas dos Sistemas Recanto (1, 2 e 3) e Lopes (1 e 2), além da Santo Ângelo, que capta água do Rio Atibaia  e é usada em momentos de dificuldade. O especialista cita que nenhum município possui “autossuficiência hídrica”, tendo em vista que a escassez de chuvas ocorrida em 2014 trouxe sérias dificuldades. “Nova Odessa também teve de recorrer ao (Rio) Atibaia”, lembra.

Calheiros afirma que o município tem adotado boas ações ambientais, mas é preciso avançar com as práticas que permitirão uma maior produção de água. “Estamos com escassez hídrica configurada (na região). E como a retirada nos rios Atibaia e Jaguari depende de outorga (autorização) de órgãos estaduais, é preciso que cada cidade tenha sua capacidade hídrica própria ampliada”, acrescenta.

O debate trouxe ainda a necessidade de se adotar medidas voltadas a garantir que, em caso de acidentes de veículos com cargas perigosas na Rodovia Anhanguera, o abastecimento não seja comprometido. “Há possibilidade de Nova Odessa ficar com 40% do abastecimento público inutilizado, porque as Represas Lopes (1 e 2) ficam próximas da Rodovia Anhanguera”, explica Calheiros.

O presidente da Câmara, Vagner Barilon (PSDB), citou que recentemente esteve acompanhado do prefeito Benjamim Bill Vieira de Souza (PSDB) e do próprio Rinaldo Calheiros em audiência com o deputado estadual e presidente da Alesp (Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo), Cauê Macris (PSDB). “Temos lutado por essa questão de segurança dos mananciais”, destaca Barilon.

A ideia é solicitar a intervenção do deputado junto ao Governo do Estado para colocar como exigência na renovação do contrato de concessão da rodovia próxima aos mananciais a realização de obra que impeça a contaminação das represas do Sistema Lopes em caso de acidentes com veículos que transportam cargas perigosas na pista. Com isso, facilitaria a adoção de um protocolo de ações.

“É um assunto que demanda muito estudo e paciência, para tomar as decisões corretas”, cita Tiago Lobo. O vereador destacou a redução de 43% para 26% as perdas de água tratada na rede. “Porém, é insuficiente, tendo em vista os lotes vazios e a aprovação de novos loteamentos. A perspectiva é da população ir a 75 mil habitantes a curto e médio prazos e 90 mil a longo prazo”, completa.


Publicado por: Assessoria de Imprensa

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